31 out Comunidades do Marajó celebram conquistas e renovam compromissos com a restauração produtiva no encerramento do projeto Marajó Socioambiental 2030
Evento reuniu comunitários e parceiros em Belém (PA) e destacou avanços na restauração ecológica e produtiva do território.
Nos dias 27 a 29 de outubro de 2025, o Parque dos Igarapés, em Belém (PA), recebeu o evento de encerramento do projeto Marajó Socioambiental 2030, iniciativa realizada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com apoio financeiro do Fundo Socioambiental da CAIXA e parceria com organizações de base comunitária e de instituições governamentais como o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Universidade do Estado do Pará (Uepa).
O encontro reuniu 20 representantes de comunidades agroextrativistas de Breves, Portel, Curralinho e São Sebastião da Boa Vista, e 8 representantes institucionais que, ao longo dos últimos quatro anos, contribuíram para fortalecer a agenda da restauração produtiva no Marajó, como Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), CAIXA Econômica Federal, IDEFLOR-Bio e Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).
Durante o evento, foram compartilhadas experiências, resultados e aprendizados de uma trajetória que culminou no plantio de 500 mil mudas agroflorestais e na consolidação da Rede Raízes Marajoara, formada por viveiristas e cooperativas comunitárias que hoje seguem fortalecendo a restauração ecológica e produtiva no território.
“Com esse projeto, construímos uma pista muito efetiva de como o campesinato amazônico pode engajar na agenda da restauração produtiva, contribuindo para o processo de adaptação climática pelos agricultores e agricultoras familiares do território”, destacou o coordenador executivo do IEB, Manuel Amaral, durante a mesa de abertura.

Mesa sobre restauração, regulamentação e crédito, com representantes da Semas Pará, do IDEFLOR-Bio, da Adepará, do Mapa e de uma representação comunitária
Entre os participantes, a emoção e o sentimento de continuidade foram marcantes. Para Irley Araújo, da comunidade Jesus Misericordioso, situada em Breves, o projeto trouxe aprendizado e possibilidades de diversificação de renda. “O que a gente plantou é um futuro que vai ficar para nossos filhos e familiares. Teve uma área que a gente plantou cacau, por exemplo. E em breve a gente vai poder tirar produção, a gente tem certeza que vai dar para tirar de lá um sustento para a nossa família”, comenta Irley.
Secretário de Agricultura de São Sebastião da Boa Vista, Josimar Barreto ressaltou a importância da iniciativa para promover uma visão mais diversa da produção rural. “Nosso município vinha se tornando uma monocultura do açaí e o projeto abriu um leque na mente das pessoas, mostrou uma nova experiência, uma outra forma de cuidar e de transformar o meio onde se vive”, pontuou o secretário.
Na comunidade São José do Amparo, em Portel, o impacto foi sentido também na alimentação e na organização local. Maria Aparecida Moraes conta que o projeto ajudou a realizar um sonho antigo. “Amo plantar e cuidar da natureza. Com o projeto, conseguimos construir uma casa para criação de galinhas e já pensamos em fornecer uma alimentação saudável para as escolas da região. É uma alegria ver que o que a gente planta vai alimentar nossas crianças.”, disse Maria Aparecida.
No projeto desde o início, Romário Pacheco é um dos viveiristas da comunidade Santa Maria, no Alto Camarapi, onde também integra a Cooperativa Manejaí. Romário conta que o projeto contribuiu com áreas mais produtivas e auxiliou na valorização de espécies nativas ameaçadas.
“A gente conseguiu preservar áreas com acapu, que estavam quase extintas, e hoje já produzimos mudas para enriquecer novas áreas e fortalecer o reflorestamento em outras comunidades e isso fortaleceu nossa cooperativa e todo o território”, celebra Romário.
O evento também foi um espaço para celebrar parcerias e reafirmar compromissos. Segundo o IEB, o encerramento do projeto não representa um fim, mas um ponto de partida para novas iniciativas que consolidem a Rede Raízes Marajoara e promovam o acesso a mercados justos e sustentáveis para as comunidades envolvidas.

Dinâmica de levantamento de custos para implementação de viveiros comunitários
Resultados alcançados
O Marajó Socioambiental 2030 é uma iniciativa do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da CAIXA. Iniciado em 2022, o projeto visou à restauração ecológica socioprodutiva, apostando em estratégias como formação continuada, fortalecimento organizacional, acompanhamento técnico e fortalecimento da cadeia da restauração.
Uma das metas do projeto era o plantio de 500 mil mudas o que, no contexto amazônico, representava um desafio por conta da baixa disponibilidade de sementes e mudas agroflorestais da região. Para contornar o desafio, a estratégia foi colocar as comunidades como protagonistas nesse processo, a partir da instalação de viveiros comunitários.
No início, o projeto contou com a parceria do IDEFLOR-Bio, revitalizando quatro viveiros existentes: um em Breves e três em Portel; depois o Marajó Socioambiental investiu na construção de outros 14 viveiros, distribuídos em 4 municípios: Portel, Breves, Curralinho e São Sebastião da Boa vista.
O Marajó Socioambiental 2030 promoveu o plantio de 536 mil mudas agroflorestais e repassou diretamente às famílias participantes R$ 1.072.276,00 (Um milhão, setenta e dois mil, duzentos e setenta e seis reais), como incentivo financeiro por muda plantada, ação que contou com apoio do Fundo Socioambiental da CAIXA.