No Marajó (PA), mais de 900 famílias agroextrativistas se engajam em ações de restauração florestal

A iniciativa é impulsionada pelo projeto Marajó Socioambiental 2030, uma realização do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da CAIXA.

Período popularmente conhecido como “inverno amazônico”, os meses de dezembro a junho trazem consigo chuvas intensas e contínuas, condições ideais para atividades de plantio. No Marajó (PA), mais de 900 famílias agroextrativistas estão aproveitando o período chuvoso para reflorestar suas áreas com espécies nativas como açaí, pupunha, cupuaçu, andiroba, acapu, dentre outras.

Em busca de diversificação de renda e de segurança e soberania alimentar de suas famílias, mulheres e homens agroextrativistas de Portel, Breves, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista, Melgaço e Muaná se comprometeram com o plantio de meio milhão de mudas agroflorestais.

Organizados em mutirões comunitários, entre 2022 e 2024, as comunidades já conseguiram ultrapassar mais da metade da meta, com o plantio de 266.146 (duzentos e sessenta e seis mil e cento e quarenta e seis mudas). As mudas foram plantadas em 226 hectares, espalhados ao longo de 230 terrenos. A maioria delas — 51% — foram destinadas para áreas de florestas públicas estaduais, enquanto que as propriedades privadas das famílias agricultoras receberam 42,13% e florestas públicas federais receberam 6,64% das mudas do projeto.

“Cada muda conta, porque para quem quer reflorestar, o maior desafio é encontrar sementes e mudas agroflorestais disponíveis em grandes quantidades. Por esse motivo optamos pela estratégia de viveiros comunitários, envolvendo e dando protagonismo a agricultores familiares e agroextrativistas dos próprios territórios”, conta Deborah Pires, engenheira agrônoma e analista socioambiental do IEB.

Vitória Brandão, uma das viveiristas da comunidade Jesus Misericordioso, de Breves (PA)

Do viveiro situado na comunidade Jesus Misericordioso, em Breves (PA), a jovem Vitória Brandão conta como a pauta do meio ambiente ajudou a fortalecer laços comunitários. “Estamos com 16 famílias e a maioria é mulheres aqui dentro do viveiro. A capacidade dele [do viveiro] é para 20 mil mudas e nós estamos, acredito, com cerca de 10 mil mudas já introduzidas aqui, fora o que já foi pra campo. Aqui a gente junta os mutirões dias de segunda e quinta e rola uma resenha legal entre as garotas”, diz Vitória.

“A gente vai fazer o reflorestamento de áreas que já estão degradadas nos nossos sítios, nos nossos terrenos, porque a gente trabalhava muito em roça. E aí a gente vai fazer o reflorestamento e sem falar no beneficiamento de custo que daqui com os anos algumas frutíferas já vão estar nos beneficiando”, complementa a jovem viveirista.

Preparação

As mudas são cultivadas pelos próprios comunitários em viveiros instalados nos territórios. Realizados em mutirões, o trabalho envolve a coleta de sementes na mata e um rodízio para irrigar as mudas durante o período da seca. Em média, uma muda leva entre seis a doze meses para se tornar apta ao plantio.

O projeto fornece os insumos necessários para a produção de mudas e proporciona um estímulo financeiro de R$ 2,00 a cada muda plantada. Desta forma, as associações e cooperativas engajadas no projeto já arrecadaram cerca de R$ 530 mil reais. A perspectiva é que essa arrecadação de renda com as mudas aumente, à medida em que as famílias estejam aptas a comercializar as mudas para o mercado de sementes e mudas agroflorestais.

Até junho de 2025, as famílias devem plantar mais de 230 mil mudas em seus quintais produtivos, alcançando a meta de meio milhão de mudas, gerando alimentos e mais oportunidades de diversificação de renda. A iniciativa é do projeto Marajó Socioambiental 2030, uma realização do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da CAIXA. O projeto conta com a parceria do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (IDEFLOR-Bio) e das organizações comunitárias dos territórios envolvidos.